Malditos papéis.

Março 31, 2008

Eu tenho alguns textos para fazer. Eu os faria, claro, meu amor, se não houvesse essa bagunça da poooourra na minha escrivaninha que impede o meu fluxo psíquico e criativo. Too much information. Mas, acredite, não há mais lugar para o que eu tenho dentro do meu guarda-roupa. E eu gosto de prateleiras limpas, bem limpas, e não quero que minhas coisas fiquem perdidas por aí no meio delas.

Mas elas se perderam. Entretanto, entenda, caro barbudo, que tudo o que está no meio dessa bagunça é essencial para mim, de modo que eu não posso desfazê-la sem incorrer em dramas futuros. Espere… Não estou me fazendo entender? É esse divã que me dá dor nas costas. Ah, claro, o tecido é de boa qualidade, deve ter custado horrores, but It’s not for me. Não, eu não vou jogar tudo no lixo, entendeu? Um dia eu vou usar tudo, um dia eu vou arrumar tudo. Mas hoje, não. Não, não acredito nessa corrente psicanalítica de que tudo reflete insatisfação sexual. Olhe bem, ontem foi… Com você não foi, notoriamente. Mas deixe-me ir embora mais cedo hoje, sim? Sou uma pessoa de bem e trabalho. Onde você deixou meu guarda-chuva vermelho? Não, não é mais um item de representação fálica, lá fora está chovendo, se o senhor não percebeu. Quanto ao valor, pago com Mastercard na quarta, tá? Tchau, beijos, me liga.