Malditos papéis.

Março 31, 2008

Eu tenho alguns textos para fazer. Eu os faria, claro, meu amor, se não houvesse essa bagunça da poooourra na minha escrivaninha que impede o meu fluxo psíquico e criativo. Too much information. Mas, acredite, não há mais lugar para o que eu tenho dentro do meu guarda-roupa. E eu gosto de prateleiras limpas, bem limpas, e não quero que minhas coisas fiquem perdidas por aí no meio delas.

Mas elas se perderam. Entretanto, entenda, caro barbudo, que tudo o que está no meio dessa bagunça é essencial para mim, de modo que eu não posso desfazê-la sem incorrer em dramas futuros. Espere… Não estou me fazendo entender? É esse divã que me dá dor nas costas. Ah, claro, o tecido é de boa qualidade, deve ter custado horrores, but It’s not for me. Não, eu não vou jogar tudo no lixo, entendeu? Um dia eu vou usar tudo, um dia eu vou arrumar tudo. Mas hoje, não. Não, não acredito nessa corrente psicanalítica de que tudo reflete insatisfação sexual. Olhe bem, ontem foi… Com você não foi, notoriamente. Mas deixe-me ir embora mais cedo hoje, sim? Sou uma pessoa de bem e trabalho. Onde você deixou meu guarda-chuva vermelho? Não, não é mais um item de representação fálica, lá fora está chovendo, se o senhor não percebeu. Quanto ao valor, pago com Mastercard na quarta, tá? Tchau, beijos, me liga.

Tá, confesso que esse título tá mais que pretencioso e clichê, mas a tentação de colocar algo sensacionalista pra chamar a atenção das massas é IMENSA, haja visto que tão e somente dessa maneira eu possa ser ouvida.  Enquanto meus planos de insurreição ditatorial não dão certo, resta a mim lamentar os grandes infortúnios que ando passando em decorrência do caos urbano da metrópole cafeeira pós-moderna. A desgraça seria menor se os meus ouvidos não fossem acalentados, à noite, com frases do tipo “o caos no trânsito não é culpa da administração da cidade”… Enquanto isso, é criado pela equipe do nosso presidente - também muy amigo - o bilhete único “amigão”, que dá direito ao pobre cidadão de se divertir - já que trabalhar, coisa impossível, dignifica o mesmo e o impele à revolta do caos cotidiano - por oito horas pagando apenas uma passagem. Como isso não vai mudar a minha vida, resolvi juntar-me ao coro dos descontentes - pois sou uma universitária pé-rapada que trabalha até quando se diverte.

Pensando em soluções que, por hora, viriam a diminuir o meu stress, terei de desistir do japonês e trancar, igualmente, as literaturas alemãs, já que perdi mais uma aula - e uma avaliação - devido à novidade paulista. Já da parte dos boçais do predinho do vale do Anhangabaú, não creio, sinceramente, que a medida para inglês ver sobre implementação de rodízio duplo venha a dar certo - já que somos brazucas e não só andamos por essas ruas de meu Deus para ver as coisas.

Por hora, não sairei de casa. E quem me tirar desse recinto para uma distância superior a 200m, em prol de qualquer coisa que seja, será um homem morto.